Criado na Inglaterra por Gill Rapley e Tracey Murkett, esse método tem ganhado cada vez mais adeptos na Europa, nos Estados Unidos, no Brasil e com grupos nas mídias sociais. Ele tem como objetivo propor aos pais que deem comidas em pedaços grandes ao bebê já a partir dos 6 meses de idade, permitindo que ele coma sozinho. Conhecido pela sigla em inglês BLW ou Baby-led weaning (Desmame guiado pelo bebê), a técnica tenciona dar adeus às papinhas e recomenda que os bebês participem das refeições em família e comam com as próprias mãos os alimentos ao seu alcance, do seu agrado, quanto quiserem e no seu próprio ritmo. Saiba o que pediatras pensam sobre esse assunto.

 

No BLW a orientação é oferecer ao bebê, inicialmente, alimentos cozidos de diferentes grupos, texturas, sabores e formatos, como tiras e bastões, inteiros, picados ou fatiados em pedaços não muito pequenos e que devem ser deixados às mãos, sem uso de colher. Gill e Tracey – autores do livro em inglês “Baby-Led Weaning: The Essential Guide to Introducing Solid Foods-and Helping Your Baby to Grow Up a Happy and Confident Eater” (Paperback) – recomendam evitar as comidas duras e industrializadas, as ricas em sal e açúcar. A ideia não é o desmame precoce do peito, mas desenvolver na criança a autonomia para se alimentar desde muito cedo, exercitando a mastigação e estimulando a formação do paladar a partir da exposição a diferentes sabores logo nos primeiros meses de vida. No entanto, é preciso paciência para seguir o método BLW. Cada bebê possui o seu próprio ritmo e, no início, alguns tendem a querer brincar mais com a comida do que se alimentar. 

Os pediatras não são contra o BLW, mas a Sociedade Brasileira de Pediatria aconselha o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida e o início da alimentação complementar a partir dessa idade. “Para que o bebê receba comidas sólidas, ele precisa ter capacidade de se sentar sem apoio, sustentar a cabeça e o tronco e segurar objetos com as próprias mãos. O fim do reflexo de colocar a língua para fora (protrusão) – uma proteção natural contra a ingestão precoce de sólidos – e a habilidade de movimentar a língua, fazendo com que o alimento role na boca, são outros sinais que indicam maturidade para iniciar a alimentação complementar”, explica a pediatra Monica Moretzsohn, presidente do Comitê de Nutrologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ).

Ela afirma ainda que não há evidência de que o método tradicional com a colher seja menos importante ou menos estimulante, desde que seguidas as orientações do ponto de vista nutricional e comportamental sugeridas pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

“Estimular a interação do bebê com o alimento, respeitando os sinais de fome e saciedade são pontos importantes para a formação de hábitos alimentares saudáveis e o sucesso da alimentação complementar. Porém, limitar este processo de aprendizagem a uma abordagem única pode não ser viável para algumas famílias e não deve ser endossado como forma única de alimentação infantil”, adverte a pediatra.