Confortar seus filhos com alimentos como fast-foods e açucarados, quando estão tristes e irritados, faz com que eles se acalmem por um tempo, mas isso pode contribuir para o que especialistas chamam de “comer emocional”, um hábito associado ao ganho de peso e a distúrbios alimentares, tais como bulimia e compulsão alimentar. Veja como evitar essa cilada.

“O uso de comida rica em gordura, sobremesas e outros alimentos açucarados para consolar as crianças pode levá-las a comer em excesso e à compulsão alimentar”, alerta a psicóloga Silje Steinsbekk, da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, coautora de um estudo recente sobre o “comer emocional”.

Por meio de pesquisa – publicada na revista científica “Child Development” –, os autores analisaram os hábitos alimentares de mais de 800 crianças, de 4 a 10 anos de idade, na Noruega. Dentre elas, dois terços apresentaram sinais de que comiam para se sentirem melhor. Além disso, ficavam mais reconfortadas quando recebiam a comida dos pais. “Não há motivo para preocupação em usar eventualmente uma guloseima para confortar o seu filho, mas isso não pode virar rotina ou ser a única estratégia”, afirma a cientista.

Melissa Kay, pesquisadora na Universidade da Carolina do Norte, compartilha do mesmo pensamento. “Há melhores formas de lidar com o desconforto das crianças. Tristeza e raiva são emoções normais. Em vez de usar a comida para consolar seus filhos, ensine-os outras maneiras de lidar com as frustrações. Colocar em prática a disciplina positiva – educar com respeito sem bater, sem humilhar – não é fácil, e pode levar a mais lágrimas e birras num primeiro momento, mas os pais não devem ter medo de lidar com essa situação”, diz Melissa.

A psicóloga Valéria Lemos Palazzo, Fundadora e Coordenadora do Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares e Ansiedade (GATDA), diz que a maioria dos comedores emocionais se sente impotente frente aos seus desejos por comida. E que a fome emocional pode ser tão poderosa que é fácil confundi-la com a fome física.