O excesso de colesterol, principalmente o do tipo ruim (conhecido por LDL), em um ou ambos os pais é um importante fator para a ocorrência desse problema nos filhos, segundo recente estudo. Se ele não for descoberto e tratado a tempo, com o passar dos anos, as artérias podem entupir e há maior risco de hipertensão, infarto e derrame na vida adulta. Na opinião de pediatras que participaram do congresso da Sociedade Latino-americana de Investigação Pediátrica, em Buenos Aires, a realização de exames de colesterol em crianças em idade escolar deveria ser de rotina.

No Brasil, uma pesquisa realizada há dez anos com 1.937 crianças e adolescentes de 2 a 19 anos de idade, no Hospital das Clínicas da UNICAMP, mostrou que 44% dos pacientes entre 2 e 9 anos tinham colesterol total aumentado; 36%, LDL alto; e 56%, os triglicerídeos. “O diagnóstico precoce de hipercolesterolemia previne a piora da aterosclerose e reduz o risco de infarto e acidente vascular na idade adulta. O ideal seria fazer o rastreio em todas as crianças em idade escolar, mas, devido ao custo, isso é impraticável”, menciona Jorge Alberto Robledo, bioquímico e farmacêutico da Universidade Nacional de Córdoba, principal autor da pesquisa apresentada no congresso da SLAIP.

O documento “I Diretriz de Prevenção da Aterosclerose na Infância e na Adolescência” (da Sociedade Brasileira de Cardiologia) também aponta que “as crianças cujos pais sofrem de hipercolesterolemia têm uma possibilidade maior de apresentar esta dislipidemia (a elevação de gorduras no sangue).” E, entre outras recomendações, informa: “Toda criança a partir de 10 anos de idade deve ter o colesterol total dosado no sangue” (basta um furinho no dedo).

A mesma diretriz recomenda que “as crianças com taxa acima de 150mg/dl e menor que 170 mg/dl deverão ter seus pais orientados em relação a medidas de mudança de estilo de vida e repetir o exame anualmente. Crianças com colesterol total acima de 170 mg/dl deverão ser submetidas à análise completa de lipídeos (gorduras no sangue), após jejum de 12 horas”. O exame é indicado também para crianças que tenham pais ou avós com diagnóstico de aterosclerose antes dos 55 anos e nos casos em que os pais apresentam colesterol total acima de 240 mg/dl, sofrem de hipertensão ou obesidade. Contudo, cada caso deve ser avaliado pelo pediatra.

Desde 2011, o Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue nos Estados Unidos recomenda a dosagem de colesterol em todas as crianças de 9 a 11 anos e em jovens de 17 a 21 anos. Além disso, exame de sangue (análise do perfil lipídico) em meninos e meninas de 2 a 8 anos com fatores de risco para hipercolesterolemia, como, por exemplo, aqueles com história familiar de doença cardiovascular precoce, ou um dos pais com o colesterol total acima de 240mg/dl.

“A hipercolesterolemia infantil não é um problema visto com atenção pelos médicos e a sociedade em geral”, afirma Robledo. No seu estudo com 332 crianças argentinas de 6 a 12 anos de idade, 37 (11,1%) apresentaram níveis elevados de colesterol total (acima de 200mg/dl), e 89 (26,8%), taxas ligeiramente altas (entre 170 mg/dl e 199 mg/dl). O mesmo problema foi visto em um ou em ambos os pais dos participantes. Ainda assim, especialistas dizem ser necessário fazer novas pesquisas para confirmar essa correlação.

O melhor mesmo é prevenir, incentivando o seu filho a ter uma alimentação balanceada, a praticar atividade física diariamente e a levar uma vida saudável sob todos os aspectos. Mas não se esqueça de que você deve ser o exemplo!